Você não vai conseguir de primeira. Desculpe a dureza, mas a verdade é raramente macia.
Estou vindo do « seu futuro » para te dizer que, sim, talvez você conquiste alguma coisa. Se você der tudo de si, se for aplicado, se investir no saber, se for estratégico, se domar suas emoções mais primitivas e souber trabalhar sob pressão… Se aprender a navegar no sistema, a ser explorado sem alarde e a ser diplomático na hora certa. É, talvez você consiga: as casas, os carros, o conforto, o bem-estar. Talvez.
Vão te vender o discurso de que basta seguir o rebanho e se esgotar, pois a « meritocracia » fará o resto. A meritocracia é um mito. Pelo menos para quem começa do lado de cá. Se ser uma boa pessoa e ajudar o próximo fossem sinônimos de sucesso financeiro, eu estaria dando palestras sobre como ser o ser humano mais bem-sucedido da história.
Cheguei à conclusão de que quem nasce na dificuldade, quando finalmente encontra um teto — seja no trabalho, no amor ou na família — é logo perseguido por uma entidade invisível: a « impossibilidade de ser feliz ». Quando tudo parece calmo, algo acontece. Uma catástrofe, uma traição, uma sucessão de rejeições.
Nesse caos, buscamos desesperadamente uma « cartilha de como ser adulto ». Regras de sucesso? Elas não existem. E quanto mais eu escuto quem chegou ao topo, percebo que todos, sem exceção, exaltam o poder do acaso. A virada geralmente acontece quando eles já tinham aceitado a derrota como destino.
De repente, a magia: a grande oportunidade. O telefone não para, as portas se abrem, e você se vê cercado por quem jura que sempre esteve lá. Quem te ama de verdade celebra com a alma; já os invejosos perdem o sono tentando entender como « alguém sem talento » chegou tão longe.
Não se martirize. Não se deixe levar pelo tribunal alheio. Eu sei, é mais fácil digitar do que viver, mas encare isso como um treino constante: aprenda a filtrar o que te constrói e a descartar o que apenas tenta te diminuir.
Eu sempre ouvi o que as pessoas tinham a dizer. Posso me estressar, gritar ou discordar, mas escolho manter o diálogo. Precisamos aprender a comunicar, especialmente com quem juramos ignorar. A omissão tem um preço alto.
Vivi uma grande injustiça há algum tempo. Achei que « deixar para lá » e tentar esquecer seria o melhor remédio. Resultado? O agressor voltou e me atacou na justiça. Vou provar minha inocência porque guardei as provas, mas aprendi uma lição amarga: não devemos silenciar.
Temos que denunciar, reclamar, ocupar nosso espaço. Mesmo pequenos, temos uma função social. Nossa história de dor pode ser o farol que evita que outros naufraguem nas mesmas injustiças.
Fale. Grite. Registre. Você não está sozinho.
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