A Quarta Fase: Onde o Amor Vira Processo e a Sofrência Vira Arte.

Outro dia ouvi um sujeito filosofar no balcão: « Você só conhece realmente uma mulher após viver quatro fases com ela. »

A escala é progressiva e implacável:

  1. A primeira fase é quando você a conhece (o reino das máscaras sociais).
  2. A segunda é quando vocês namoram (o reino do esforço mútuo).
  3. A terceira é quando vocês têm um filho (o reino da realidade nua e crua).
  4. E a quarta, meu amigo… é quando você se separa dela. É aí que o « pra sempre » vira « quem é você no processo judicial? ».

Fiquei pensando nisso porque, como diz a música, « já tive mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos sabores… ». E adivinha? Atualmente estou cursando o mestrado na Fase 4. De novo.

É impossível não fazer um balanço e, logicamente, é impossível não admitir que a gente faz cagada. A gente sabe que a única solução lógica é limpar a sujeira e seguir em frente, mas aí vem a tarde de domingo. A maldita tarde de domingo.

Basta a Adele começar a cantar sobre amores perdidos no rádio para a gente se sentir na obrigação messiânica de « tentar uma última vez ». A gente redige aquela mensagem que sai do fundo do coração — e provavelmente do fundo de uma taça de vinho — crentes de que guardamos nossa melhor arma para o final. Afinal, você pensa que conhece a pessoa com quem dividiu talheres, lençóis e boletos melhor do que ninguém, certo? Errado.

Minha desculpa para o meu próprio ego é bem convincente: « Não quero que lá na frente eu me arrependa do que não fiz ». No fundo, eu gosto da sofrência. Ela nos eleva ao estado mais humilde — ou mais patético — do ser humano. É quando baixamos todas as armas e tentamos convencer o outro (e a nós mesmos) de que seremos uma pessoa completamente nova a partir de segunda-feira.

O problema é que, quase sempre, o defeito não está na sua « atualização de software ». Se você já tentou, lutou, mandou textão e nada mudou, é porque a história já tinha subido os créditos finais há muito tempo e você continuou sentado no cinema comendo pipoca murcha.

Aceite: as pessoas simplesmente deixam de gostar umas das outras. E você não é o Alec Baldwin para ser a exceção da regra. Tinha gente que te adorava ontem e hoje não lembra nem se você faz aniversário em março ou em agosto.

A vida é uma estação de trem: gente chegando, gente partindo e você precisa aceitar que a maioria das pessoas não liga para você. Na verdade, a maioria não está nem aí. E não é por maldade! É que elas estão ocupadas demais tentando não se afogar nos próprios problemas.

Daí vem você, com o fone de ouvido, olhos marejados e um texto de 40 linhas no WhatsApp, achando que, só porque você está sofrendo, o mundo deve parar o trânsito e te ouvir?

Sinto muito. Ele não vai.


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